Santiago do Chile – Diário de Bordo

A visita a Santiago foi dividida em duas partes. Foi a primeira e última parada da nossa viagem de 15 dias que passou por Valparaíso, Viña del Mar, Deserto do Atacama e Uyuni, na Bolívia. Inicialmente era pra ser apenas via de passagem entre esses lugares, mas acabou que nos apaixonamos pela cidade e ficamos alguns dias a mais.

Fomos pela TAM/LAN com escala em São Paulo. Acho que não há voos diretos do Rio e a Gol não voa mais para o Chile. Não darei dicas de voos e valores, pois fomos péssimos nessa parte – compramos as passagens com menos de um mês de antecedência pela Decolar.com, sem planejamento algum. Pagamos muito caro, não recomendo a ninguém viajar dessa forma.

A viagem para o Chile já começa no avião. Faça o possível para ir na janela, pois o visual dos Andes é demais.

Chegamos ao aeroporto de Santiago dia 10 de janeiro/2013 já no final da tarde. Pegamos o ônibus da Turbus que sai da porta do aeroporto e descemos na Estación Central (centro de Santiago), pois somos tão organizados, que pra variar, não olhamos no mapa para saber onde era nosso hotel, tínhamos apenas o número e o nome da rua.

Aí que começou nossa novela: Santiago, aparentemente, não é uma cidade que cresceu de forma planejada, as ruas não seguem uma linearidade, não há quarteirões “quadrados” como estamos acostumados e ruas paralelas e transversais. É uma bagunça! Nós nos perdemos no caminho para o nosso hostel TODOS OS DIAS. E isso se repetiu diversas vezes, para quase todos os lugares que nós nos planejamos pra ir, nem os mapas ajudavam. Acabou que perdemos muito tempo por isso. Na segunda parte da estada na cidade, desistimos do estilo andarilho e cedemos aos táxis.

Pra variar, não havíamos pesquisado nem programado nada para esses dois primeiros dias de passagem. Saímos batendo perna a esmo e nossa primeira descoberta foi o Barrio Lastarria, aos pés do Cerro Santa Lucia, um bairro boêmio, lindo, cheio de bares, cafés, artistas de rua, livrarias, galerias de arte, etc. É um bairro muito charmoso e muito bem localizado, fica bem próximo a estação Universidad Catolica do metrô. Amei esse bairro. Mais até do que o Bellavista – bairro boêmio mais famoso de Santiago.

Chegamos de volta a Santiago ao final do dia 21 de janeiro/2013. Nossa programação era rodarmos pelos pontos interessantes da capital dia 22, Viña Del Mar e Valparaiso dia 23, Vincula Concha y Toro e uma noitada chilena dia 24, pois dia 25 era o dia de ir embora.

Pegamos o panfleto de uma Free Walking Tour, escolhemos um roteiro e fomos fazê-lo por conta própria. Quem acompanha este blog já deve ter reparado que nós somos campeões em perder programas por razões extraordinárias, como foi no Salar de Uyuni e em Foz do Iguaçu, em Santiago não poderia ser diferente. Justamente o dia que escolhemos para visitar a cidade, quase todos os estabelecimentos estavam fechados devido à falta d’água. Um rio havia transbordado contaminando boa parte da água potável da região. Com isso deixamos de conhecer o Cerro San Cristóbal com seu funicular e o zoológico, a La Chascona (segunda casa do poeta Pablo Neruda) e o Museu de Arte Pré-Colombina. Isso nos fez perder quase metade do dia, pois sem sabermos do que havia acontecido, chegamos a bater com a cara na porta de cada um deles. Nossa visita a Santiago se resumiu a andar muito pelo centro, ao Cerro Santa Lucia, bairro Bellavista, Palacio de La Moneda, Plaza de Armas, Iglesia San Francisco de Borja e o Mercado Central – dá pra visitar todos esses lugares tranquilamente num único dia.

Atividades Sísmicas

Na primeira noite do nosso primeiro dia em Santiago, o dono do nosso hostel nos informou que durante a madrugada não havia água quente, nem wifi, pois a energia elétrica era reduzida devido aos temblores noturnos e fez um gesto de mãos chacoalhando. Não entendemos nada – o sotaque dos chilenos é muito difícil – e não pensamos mais nisso, não pretendíamos tomar banho nem usar internet de madrugada mesmo. Só 13 dias depois, na segunda parte da nossa visita a Santiago, entendemos na prática o que eram os tais temblores.

Estávamos num hostel que era um casarão de madeira e eu dormia numa cama extra, daquelas de rodinhas, que ficava bem ao lado de um varandão. Acordei no meio da madrugada com minha cama patinando e o som da madeira estalando. Levantei e fui fechar a porta da varanda pensando que fosse um vendaval. Quando cheguei do lado de fora nenhuma brisa, só o chão tremendo sutilmente. Pulei de volta na cama e me escondi debaixo do meu cobertor escudo em posição fetal e com o coração tremendo mais que o chão. Não durou mais que 5 minutos (que pareceram 5h) e foi bem sutil, mas o suficiente pra deixar morrendo de medo.

No dia seguinte fomos para Viña Del Mar, uma cidade que ainda guarda marcas profundas do forte terremoto de 2008. No meio do passeio, contando histórias deste triste episódio, nosso guia comentou que naquela madrugada um terremoto de magnitude 5 havia sido sentido em várias cidades do país e que isso era “comum” no Chile, que devido a sua localização, o país tem atividades sísmicas constantes, mas que a maior parte delas é quase imperceptível. Era a isso que se referia o dono do primeiro hostel que nós ficamos quase duas semanas antes, os tais temblores eram na verdade, tremores.

O Melhor do Chile

Uma paradinha para falar do que descobrimos ser o melhor do Chile: os chilenos! Eu me tornei “suspeita” pra falar do Chile, pois de todos os lugares que já visitei no mundo foi o que mais me surpreendeu positivamente, em diversos aspectos. Sou com-ple-ta-men-te apaixonada por aquele país. Os chilenos são o povo mais honesto, solidário, educado, tranquilo e simpático que eu já tive o prazer de conhecer. Além disso, em momento algum me senti insegura, o trânsito é organizado e as estradas parecem tapetes (isso tudo sem falar nas belezas naturais). Fomos bem atendidos em todos os estabelecimentos, sempre que pedíamos informação na rua as pessoas paravam tudo o que estavam fazendo para nos ajudar o tempo que fosse necessário, andamos de ônibus de graça duas vezes – uma delas de Valparaiso para Santiago – e depois de alguns dias deixávamos nosso quarto todo aberto, com nossas coisas a mostra e nossos sapatos do lado de fora e nunca fomos roubados.

Confesso que eu não esperava muito de Santiago, era para ser apenas via de entrada e saída do Chile, mas assim como o país como um todo, Santiago me surpreendeu absurdamente por diversas razões, sua beleza, organização, a simpatia e generosidade do seu povo, etc. É minha capital preferida de todas que já visitei na América do Sul e um lugar que fiquei com vontade de voltar para morar.

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