San Pedro de Atacama – a “cidade sede” do Deserto do Atacama

San Pedro é uma cidadezinha muito pequena que mais parece uma cidade cenográfica. Fica no deserto mais árido e mais alto do mundo, a 2.400 metros de altitude. Não tem asfalto, concentra-se em torno de uma praça e de uma rua principal (Caracoles). Os estabelecimentos são pequenos e de apenas um andar e boa parte das construções são de adobe. A economia da cidade é essencialmente baseada no turismo. Tive a impressão de que havia mais turistas que moradores locais. É como se fosse um hotel gigante a céu aberto. Há duas maneiras de se chegar lá: de ônibus, pela Turbusdesde Santiago são 24 horas de viagem – ou de avião até a cidade de Calama, que fica a 100k de San Pedro (ou de carro, claro, pela Ruta 5).

A viagem

Saímos de Santiago no dia 12 de janeiro. Nosso ônibus partiu pontualmente às 9h10 de um sábado e chegou a San Pedro às 9h de domingo. Como compramos nossas passagens na véspera, não pudemos escolher nossos assentos, acabamos ficando muito perto do banheiro, o que foi um enorme problema depois de umas 5h de viagem.

Pra quem está com tempo e disposto a conhecer o Chile, eu recomendo a ida de ônibus. Durante a primeira parte da viagem vamos beirando a costa do oceano Pacífico, o que nos proporciona visuais maravilhosos. Fiquei com muita vontade de conhecer uma cidade do caminho chamada La Serena. É um balneário lindo, que me lembrou a Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A segunda parte da viagem já é deserto adentro, com montanhas enormes, vulcões, pequenos povoados… Há muito para se ver nestas 24 horas.

Fomos pela empresa Turbus, é a mais tradicional no Chile. Os ônibus têm dois andares, um banheiro em cada andar e o serviço inclui um pequeno lanche (pequeno MESMO), que é um mini-alfajor, um sanduíche de queijo e presunto seco e um mini-suco. Os ônibus não têm ar condicionado, porém, mesmo no auge do verão o calor não é dos maiores e de noite o frio é muito intenso. Há diversos monitores espalhados pelo ônibus que vão transmitindo filmes durante quase todo o dia.

Escolhemos o assento Semicama, que é mais em conta e tem mais opções de horários que as alternativas mais confortáveis. Como compramos na véspera, o valor foi 42 mil pesos (só ida), mas comprando com antecedência é mais barato. Não é possível comprar pelo site da Turbus fora do Chile. Nós compramos direto nos guichês da rodoviária e eles aceitavam todos os tipos de cartões. Recomendo usar roupas confortáveis e leves e levar agasalhos bem quentes para usar a noite. Leve comida suficiente para essas 24 horas e dinheiro trocado para pagar pelos banheiros das paradas, que custam em torno de 300 pesos (você vai precisar deles).

As estradas do Chile são como tapetes e são praticamente 24h em linha reta. O ônibus faz de quatro a seis paradas durante o dia. Aproveite estas paradas para esticar as pernas.

Uma dica importantíssima: fique o mais longe possível dos banheiros. Nós sofremos boa parte da viagem com o cheiro, que era insuportável. A viagem teria sido perfeita, não fosse isso. Os banheiros das rodoviárias são ótimos, alguns têm até chuveiro. Use e abuse deles pra não precisar usar os do ônibus.

1º dia – San Pedro de Atacama e Valle de La Luna

San Pedro é uma cidadezinha muito pequena. É impossível se perder e as pessoas são muito gentis. Quando chegamos ainda estava tudo fechado. Fomos andando da rodoviária até o nosso hostel, sem mapas ou referências, e achamos de primeira, só com a ajuda dos locais.

Deixamos nossa bagagem no hostel e imediatamente já fomos andar pela cidade. As principais lojas, agências e restaurantes ficam na rua Caracoles, que é literalmente no meio da cidade.

Visitamos algumas agências para cotar os passeios e acabamos escolhendo a que nos foi recomendada lá na hora por um outro hóspede do nosso hostel, a World White Travel. Os valores, horários e demais esquemas dos quatro passeios clássicos não variam muito de uma agência pra outra. E contratar os passeios todos de uma vez numa mesma agência sai bem mais barato do que fazê-los de maneira avulsa e há diversas opções de saídas todos os dias, não precisa se preocupar em se programar com antecedência.

Nosso pacote custou 55 mil pesos chilenos, com guia falando inglês e espanhol e a agência aceitava todos os tipos de cartões, mas cobrava uma pequena taxa extra. Aproveitamos pra comprar de uma vez nessa mesma agência o passeio para o Salar de Uyuni, que custou 120.000 pesos chilenos e ficou marcado para o nosso 5º e último dia de viagem.

A programação ficou assim:

  • 1º dia Valle de La Luna: Saída as 16h da agência, retorno às 21h. Não inclui lanche.
  • 2º dia Lagunas Altiplânicas, Laguna Chaxas (Parque Nacional dos Flamingos), Valle de Jeres e Toconao: Saída do hotel às 7h da manhã, retorno às 14h. Café da manhã incluído.
  • 3º dia Geisers del Tatio e povoado de Machuca: Saída no hotel às 4h da manhã e retorno por volta das 14h. Café da manhã incluído.
  • 4º dia Lagunas Cejar e Tebinquiche e Salar de Atacama: Saída as 16h da agência, retorno às 21h. Lanche incluído.

Almoçamos no restaurante Estaka, aparentemente o mais conhecido e tradicional de San Pedro. Fica na Caracoles. Não é barato, meu prato saiu a 10.000 pesos chilenos, mas a comida é ótima. Comi um frango ao molho de milho sensacional, recomendadíssimo.

Por causa do calor escaldante do deserto e da altitude, todos os passeios do Deserto do Atacama saem ou de manhã muito cedo, ou as 16h e lá eles levam a sesta muito a sério. Então se você já não estiver num passeio, de 12h às 16h não terá nada pra fazer. Boa parte dos estabelecimentos fecham nesse período, até alguns de importância, como a Turbus e a Pullman. Aproveite esse tempo para descansar, comer, arrumar as suas coisas, conhecer a cidade… foi o que nós fizemos nesse primeiro dia.

Depois do almoço fomos tirar umas fotos da cidade. Você não precisa tirar um dia inteiro para conhecer San Pedro do Atacama como normalmente fazemos em outros destinos. A cidade é realmente muito pequena e não tem atrativos turístico além dela mesma. Em meia hora você roda a cidade toda.

A praça central de San Pedro fica paralela à Caracoles, tem vários restaurantes caros, a igreja, alguns órgãos da prefeitura e, pasmem: internet wi-fi liberada (tá certo que nos cinco dias que estivemos lá nunca conseguimos conectá-la). Era comum nos depararmos com essa dupla simpática desfilando por lá. É óbvio que a turistada ficava louca! Diferente do que já li por aí e do que acontece no Peru, nunca o vi cobrando pelas fotos.

Antes das 16h já estávamos na agência para o nosso primeiro passeio: Valle de La Luna. Este foi sem dúvida alguma o meu passeio preferido.

Perto das 21h o ônibus da agência nos deixou de volta na Caracoles, já com a temperatura caindo bruscamente. Corremos para o hostel para fugir do frio. Eu recomendo uma lanterna para quem não se hospedar nas ruas mais centrais.

Onde se hospedar: Ficamos no Hostel Tuyasto, que é super bem recomendado no Trip Advisor e no Hostel World e eu garanto que faz jus às altas notas. As recomendações são quase apaixonadas e eu só servi para engrossar o coro. O hostel é um pouco afastado do centro e é a casa de um casal sensacional – Jose e Matilda. Eu fiquei num quarto individual, então pra mim foi tudo perfeito. A única ressalva é quanto aos quartos compartilhados – os banheiros são externos, o que pode ser um problema quando você precisar dele de noite ou de manhã cedinho, quando o frio é desesperador. Apesar de que não vi ninguém reclamar disso, acho que todo o resto compensa. Não inclui café-da-manhã, como a grande maioria das hospedagens de lá (quase todos os passeios já incluem refeições), mas tem uma cozinha bem equipada.

Onde comer (se você ficar no Tuyasto ou próximo): havia uma senhora que cozinhava no almoço na casa em frente ao hostel, a comida era simples e boa a um preço mínimo, cerca de três mil pesos. É exatamente em frente ao hostel Tuyasto, na rua 28 de Agosto. É a primeira casa à direita logo na entrada da rua. É uma casa mesmo, nada indica que há algum comércio ali. É bom perguntar ao Jose e a Matilda se ainda existe. Subindo mais um pouco a rua, logo depois do hostel, há uma vendinha.

Foto de Capa: Kidrobot30, Wikimedia Commons

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