Machu Picchu – Diário de Bordo e Dicas

Machu Picchu foi a principal razão desta viagem de 10 dias pelo Peru em setembro de 2013, portanto, para que todo o resto não perdesse a graça, a “cidade perdida dos Incas” foi o nosso último destino antes de voltar para casa.

Antes de começar este relato, preciso fazer um breve resumo da Minha História de Amor com Machu Picchu:

Em meados de 2007 uma instituição privada da Suíça lançou um concurso para eleger as novas sete maravilhas do mundo através do voto popular. Mesmo sem o apoio da UNESCO, este concurso teve enorme repercussão mundial. À época, a rede Globo e o Governo Federal fizeram uma enorme campanha para incentivar o povo brasileiro a votar no Cristo Redentor. No site do concurso era necessário dar o voto a sete das vinte e uma candidatas e eu conhecia no máximo umas duas ou três. Foi aí que deu-se a merda. Cliquei nas fotinhos que mais me chamaram atenção só pra concluir o processo, mas Machu Picchu me chamou mais atenção do que deveria. Depois de uma breve pesquisa, fiquei completamente obcecada. Só que naquela época eu era uma adolescente universitária e desempregada, então viajar era uma completa utopia. O que só serviu para potencializar minha obsessão. Lá se foram seis anos de sonho, planejamento e dos meus pais e amigos já de saco cheio da minha fixação, até que eu pudesse crescer, começar a trabalhar e ter condições de realizar a tão sonhada viagem.

A viagem

Machu Picchu

Machu Picchu

Fui para Aguas Calientes por Ollantaytambo, direto do passeio para o Valle Sagrado, ainda na véspera. Depois de cerca de 1h45min de trem, cheguei a estação de Aguas Calientes e havia uma funcionária do hotel que eu fiz reserva me esperando com uma placa com o meu nome. Fiquei no El Místico, o quarto triplo estava bem em conta. O hotel é ótimo e super bem localizado, além de o café da manhã ser bem mais variado que o de costume no Peru (pão e chá).

Surpreendi-me positivamente com Aguas Calientes. Sempre lia por aí que a cidade não tinha absolutamente nada para se fazer. Em questão de infraestrutura, achei até mais bem preparada que Cusco. Muitos hotéis, restaurantes, boates, muita gente na rua, etc. A cidade só é bem pequena mesmo.

Acordei bem cedinho no dia seguinte para chegar as 7h em Machu Picchu, pra tentar rodar a cidade e fotografá-la antes de estar lotada por turistas. Mais tarde que isso você praticamente tem que entrar em filas pra cada canto legal que você quiser bater uma foto.

Eu esperei tantos anos por isso que surpreendentemente acordei de mau-humor. Acordei tensa, ansiosa, como se estivesse na iminência de algo dar errado. Deixei o hotel antes dos meus amigos e fui sozinha, aquele era um momento muito meu. A subida no ônibus foi com o coração disparado.

A coisa que mais me impressionou em Machu Picchu não foi a cidade, o horizonte visto de lá que é deslumbrante. Os planos de chegar e tirar fotos foram por água abaixo quando me deparei com aquele visual. Sentei no chão e fiquei só admirando por quase uma hora e ainda digerindo a sensação de enfim estar realizando a tão esperada viagem.

Machu Picchu

Visual de Machu Picchu

As 8h chegou o guia que contratei com uma agência ainda em Cusco. O tour durou 2h. Não sei dizer se um guia é mesmo necessário. Claro que ir a Machu Picchu e não entender sua história e não saber o significado de cada canto é quase uma viagem perdida, mas são tantos guias, que acho que você pode explorá-la por conta própria e colar nos guias que passam e ouvir a explicação deles. Ou investir num guia só pra você, que vai seguir por onde você quiser e vai responder às suas perguntas com calma. Vale também um estudo prévio, dar uma lida pela internet. Toda a história é realmente muito interessante, vale a pena a dedicação. Isso torna a viagem muito mais interessante.

Confesso que a cidade em si me decepcionou um pouco, claro que o tamanho da expectativa que eu tinha ajudou nessa constatação, mas eu esperava algo muito mais “natural”. É tudo muito arrumado, muito artificial. Eu já sabia que menos de 30% da cidade é original, que todo o resto é reconstruído, mas acho que exageraram na “arrumação”. Parece uma cidade cenográfica. Eu não tive a tal “experiência espiritual” que todos relatam – a quantidade de turistas também contribui. A emoção foi mesmo pela realização.

Montanha Huayna Picchu

Montanha Huayna Picchu

Por volta das 10h30 larguei o guia e segui para Huayna Picchu. Levei 2h na subida e 1h30 na descida. Diferente dos 50min que lia por aí. A subida não é difícil, é só cansativa. A descida sim que é TENSA. Para uma pessoa sedentária como eu, Huayna Picchu acabou atrapalhando um pouco o programa. Perdi muitas horas nesse trajeto, que não é essencial para se viver a experiência completa de Machu Picchu. Cheguei lá embaixo exausta e não conseguia mais refazer aquelas subidas e descidas de Machu Picchu.

Machu Picchu

Machu Picchu vista de cima de Huayna Picchu

Deixamos a cidade as 16h30. Voltei para Cusco ainda no mesmo dia, também por Ollantaytambo, no trem das 18h45. Ainda em Cusco contratamos o traslado de Ollantaytambo para lá. Chegamos ao hostel já passava das 23h.

Já saí de lá com uma sensação de nostalgia e a certeza absoluta de que ainda vou repetir o passeio.

Informações Importantes

Por causa da alta procura, Machu Picchu tem um número limitado de visitantes por dia, se você quiser subir uma das montanhas, esse número é mais limitado ainda: são apenas 4.000 ingressos por dia. Para subir Huayna Picchu são apenas 400, divididos em dois grupos de 200 – um as 7h e outro as 10h. Boa parte desses ingressos são adquiridos por agências, o número que sobra para a compra direta é reduzidíssimo, o que faz com que os ingressos do site oficial de Machu Picchu esgotem cerca de um mês antes. Lá em Cusco vi agências com disponibilidade de ingressos já para o dia seguinte, enquanto que no site oficial já estava esgotado há semanas.

Ciente disso, comprei meu ingresso com bastante antecedência, para Machu Picchu + Huayna Picchu, 2º grupo. Recomenda-se que você compre o segundo grupo, pois normalmente as 7h o céu ainda está um pouco nublado. Acho que isso depende muito da época, as 7h do dia que eu fui estava um dia lindo de céu aberto, já as 10h o calor e o sol estavam insuportáveis.

Comprei as passagens de trem, ida e volta por Ollantaytambo, e o ingresso para Machu Picchu meses antes. Logo que cheguei a Cusco contratei com uma agência os ônibus de subida e descida, guia bilíngue para Machu Picchu e o ônibus de Ollantaytambo para Cusco. O valor total foi de 110 soles.

Valor do ônibus para Machu Picchu

Tabela de valores do ônibus para Machu Picchu em setembro/2013

Os ônibus de subida e descida saem a cada 5 minutos. São vários durante todo o dia. Você pode comprar a passagem na hora, sem problemas. O trajeto dura cerca de 25 minutos.

O Ministério da Cultura, responsável pela venda de ingressos para Machu Picchu, fica atrás do ponto do ônibus que você pega pra subir. Seguindo o contra-fluxo, vire a primeira a esquerda. Qualquer contratempo com os seus ingressos, é lá que você poderá encontrar ajuda.

É necessário apresentar passaporte ou documento de identidade, junto do ingresso impresso, para entrar em Machu Picchu. No ingresso está escrito que você precisa apresentar o cartão utilizado para a compra do ingresso, mas eles não cobram isso. O documento e o ingresso bastam.

Não é permitido entrar com comida, apenas bebida. Há um guarda-volumes logo depois da roleta, por 3 soles. Os guardas revistam aleatoriamente as bolsas de algumas pessoas.

Uma vez lá dentro, você pode entrar e sair quantas vezes quiser. Há um restaurante do lado de fora (caríssimo, por sinal. Quando fui, uma coca-cola custava 13 soles e um sanduíche de 25 a 35 soles). Por isso, não deixe de levar comida o suficiente para o tempo que você pretende estar lá.

Há um banheiro do lado de fora por 1 sole.

Visitar Machu Picchu exige certo preparo físico. São subidas e descidas o tempo todo.

A cada chegada do trem a Ollantaytambo, independente do horário, há várias vans e ônibus saindo para Cusco a 10 soles por pessoa. Ficam várias pessoas gritando e oferecendo assim que você pisar fora da estação.

Ollantaytambo faz parte do passeio ao Valle Sagrado, por isso vale muito a pena ir a Aguas Calientes por lá. Se você fizer o passeio por uma agência, ele costuma terminar por volta das 16h30. Deixe o grupo e fique na cidade. Ollantaytambo é muito pequena, é muito fácil encontrar a estação. Qualquer coisa, os tuk-tuks cobram de 1 a 5 soles por pessoa para te levarem até lá. Além disso, Cusco não tem mais uma estação de trem, a mais próxima é a de Poroy, que ainda assim é um pouco distante do centro. Sem contar que o valor da passagem é infinitamente mais caro. A melhor opção mesmo é ir e voltar por Ollantaytambo.

Para ver mais fotos desta viagem, acesse o nosso Facebook.

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2 Respostas para “Machu Picchu – Diário de Bordo e Dicas

  1. Olá gente!
    Primeiramente parabenizo pelo trabalho que fiz em ajudar aos brasileiros que desejem conhecer Machu Picchu, quem escreve é um amante da cultura brasileira e graças a deus já teve a sorte de morar no Brasil por um bom tempo, agora voltei ao Peru – Cusco para mostrar a todos os brasileiros que desejem conhecer a terra dos incas.
    Se alguém deseja algumas dicas e recomendações pra a sua viagem, sera tudo um prazer ajuda-los em realizar o sonho de conhecer Machu Picchu Cusco, Lima, Lago titicaca, Arequipa, Nazca, Paracas, Puno, Trujillo e outros destinos que ainda não foram explorados pelo brasileiros.

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