Ciudad del Este – Diário de Bordo

Ciudad del Este

Ciudad del Este [Foto: Google Images]

A ida a Ciudad del Este foi programada para o terceiro dia da viagem a Foz do Iguaçu.

Antes de deixarmos o hostel rumo ao Paraguai a recepcionista nos orientou a deixar tudo de valor no hotel, não usar óculos escuros ou qualquer outro acessório a mostra. Às 8h da manhã pegamos um ônibus (3,50 a passagem) e depois de quase 1h parados no trânsito da Ponte da Amizade, enfim, estávamos em outro país.

Ciudad del Este puente de la Amistad

Puente de La Amistad – Ponte da Amizade, via Wikimedia Commons

Sem trânsito a viagem levaria 20 minutos no máximo. Ciudad del Este fica logo após a ponte. Após a travessia você já pode descer logo no primeiro ponto. Apenas a identidade, em bom estado e dentro da validade, é suficiente para entrar.

Ciudad del Este é um lugar muito engraçado. É absolutamente super-lotado e desorganizado. São centenas de barraquinhas e lojas coladas umas nas outras obstruindo passagens e milhares de vendedores ambulantes tentando te vender de tudo. Logo quando você coloca os pés fora do ônibus mais de dez pessoas já te abordam com panfletos de tudo que você imaginar. Parece aquelas cenas de filme, quando um famoso sai do carro e é engolido por dezenas de fotógrafos, jornalistas e fãs.

paparazzi

Essa é a sensação [Fonte: Blog Reflections]

Como a oferta é demais e é muito difícil de você se encontrar lá e saber o que é verdadeiro e o que não é, pesquise tudo que você precisa antes, chegue lá já com os endereços e os nomes das lojas que você quer ir. Conseguimos isso em poucos minutos pesquisando em alguns fóruns pela internet.

Ciudad del Este

Ciudad del Este [Foto: Google Images]

Para quem quiser comprar bebidas e outros souvenirs, a La Petisquera é a loja perfeita. Compramos vodca Absolut, whisky Black Label e várias outras bebidas importadas por preços impraticáveis até nos free shops.

Para quem quiser comprar eletrônicos, nossa indicação é a loja Monte Carlo (não, não é a Monte Carlo Joias). Inclusive, em muitas dessas lojas os vendedores são brasileiros.

Atenção: o limite máximo de compras por pessoa sem a cobrança de impostos é de 300 dólares dentro de um período de um mês.

Para marinheiros de primeira viagem, Ciudad del Este pode ser assustadora. Reservamos um dia inteiro para comprar e passear, mas no final das contas, não passamos mais de 1h30 lá e realmente não há por onde passear. Nessa época a moda era o taser, aquela arma de eletrochoque. A cada metro quadrado havia um vendedor apertando aquele troço na nossa direção. Eu não conseguia parar de pensar que para haver tanta oferta, com certeza devia haver MUITA demanda e isso me deixava apavorada. Era o tempo todo fugindo dos vendedores que saem te puxando pelos braços e desviando dos tasers. É cansativo. É quase uma corrida de obstáculos.

Ciudad del Este

Ciudad del Este – Foto By Herr stahlhoefer (Own work), via Wikimedia Commons

Para prosseguir, preciso fazer uma confissão: a principal motivação da nossa ida ao Paraguai era para comprar Absinto, não desses que vendem aqui pelo Brasil, mas o verdadeiro, que possui teor alcoólico superior a 70%.

Após comprarmos nossos eletrônicos partimos para o nosso verdadeiro objetivo, o absinto da marca Hapsburg. A média de preços era 16 dólares. Há versões de 69%, 72,5%, 85% e inacreditáveis 89,9% de álcool!

Absinto Hapsburg

Absinto Hapsburg [Fonte: Google Images]

Pesquisamos muito antes de viajar, mas não encontramos informações pela internet, fomos na cara e na coragem descobrir por conta própria. Então, a partir daqui, esse post vai ser também um manual para o amante de Absinto.

Manual de aquisição para adoradores de Absinto 😛

O limite máximo de teor alcoólico para as bebidas brasileiras permitido por lei é 54%. Descobrimos também lendo a lei, que é proibida a fabricação e comercialização de bebidas com teor acima do permitido, mas a lei não é clara quanto a trazer de fora para consumo próprio.

A vendedora da loja, para garantir a venda, disse-nos que era permitido sim, porém, apenas duas garrafas por pessoas. Saímos cada um com suas duas garrafas nas mãos, sem esconder, pois achávamos que não estávamos fazendo nada de errado, afinal, nossas compras davam muito menos que os 300 dólares por pessoa.

ponte da amizade

Ponte da Amizade [Foto: Google Images]

Já perto da alfandega tivemos a sorte de encontrar uma boa alma que nos avisou que era proibido sim, que era melhor escondermos, pois se o fiscal visse, recolheria. Enfiamos os absintos nas mochilas e passamos. Como resolvemos declarar os eletrônicos, ninguém pediu para revistar nossas bolsas. Entramos em solo brasileiro com nossas bebidas, sem maiores problemas. Mas ainda faltava a pior parte, que era ir de Foz para o Rio. Perguntamos a Deus e o mundo se era permitido, até pro garçom do restaurante, mas ninguém sabia.

Nosso voo sairia de Foz às 15h de terça. A manhã seguinte foi dedicada a descobrir como levar os absintos. O plano A era despachá-los pelos correios. Status da missão: FAILED.

Os correios de Foz não despacham mercadorias que venham do Paraguai. Qualquer coisa a ser despachada deve ter nota fiscal brasileira, se forem coisas sem valor, o atendente tem que ver o que é.

Chegamos a pensar até em deixar um dos três lá pra voltar de ônibus (plano B), mas todos tinham que trabalhar no dia seguinte (mission FAILED). O plano C era tentar a sorte e trazer no avião mesmo.

Por uma luz divina, nós três havíamos levado cobertores grossos, pois o hostel não oferecia. Então cada um embrulhou seus dois absintos nos cobertores, enfiou-os na mala e seja o que Deus quiser! Parte da estratégia era fazer a barba, usar óculos e passarmos separados para tentar garantir que ao menos um conseguisse cumprir a missão. Praticamente três gangsters.

Como bons “cagões” que somos, passamos no raio-X quase desmaiando de nervoso, sem conseguir disfarçar. Qualquer um que olhasse na nossa cara ia achar que estávamos cometendo um crime hediondo. Atravessar aquele raio-X foi como atravessar o portal da Caverna do Dragão.

Caverna do Dragão

Caverna do Dragão [Fonte: Google Images]

Passamos! Novamente não sabemos se por sorte ou porque realmente é permitido.

Claro que não podíamos finalizar esta aventura sem uma última emoção. Ainda na sala de embarque, um dos meus amigos foi chamado pelo alto-falante a comparecer no guichê da companhia aérea. Pronto! Nosso mundo caiu. Eu já estava quase chorando quando ele volta todo risonho – na hora do desespero no check-in, ele tinha deixado o cartão de embarque cair no chão. Eles só queriam devolvê-lo. Status da missão: ACCOMPLISHED!

Cheguei ao Rio me sentindo tão sortuda que fui direto jogar na Mega-Sena.

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